Capítulo I
Umas das velas já havia apagado, as outras duas estavam chegando
ao seu fim.
A sala de jantar era longa, capaz de servir 30 pessoas facilmente.
Uma mesa ocupava o espaço central, toda trabalhada em mármore com detalhes em
ouro puro. Nela, um vinho tinto havia sido servido em taças de cristal, os
pratos de porcelana combinavam com a toalha de renda artesanal.
As paredes eram forradas por aquarelas e um autentico quadro de
Monet. Os lustres eram grandes e suntuosos, e estavam naquela mansão desde o
inicio do século XIX. No silencio da enorme propriedade, podia se ouvir o canto
da Ave Maria ao longe, ecoando pelos corredores e se espalhando com beleza
pelos aposentos.
Tudo estava quieto, o relógio de parede badalava as duas da
madrugada, os empregados dormiam tranquilamente depois de um intenso dia de
trabalho e exceto a sala, tudo estava imerso na completa escuridão.
As botas não faziam nenhum ruído enquanto se aproximava.
Andava lentamente pela sala de jantar, encarando com desinteresse
os quadros. Parou em frente a uma pintura abstrata em cores vivas e chamativas
e esticou a Mao até segurar a taça de vinho. Bebericou-a e olhou para a obra
que não fazia sentido nenhum aos seus olhos.
Franzindo o cenho, soltou a taça e a observou se estilhaçar no
chão de mármore, o liquido vermelho se misturou ao outro que estava em todo o
chão. Agachou-se sobre os corpos e os observou. Guardava na memória cada
detalhe de suas vitimas.
Tivera que gastar duas balas para derrubar o homem gordo. Achou
engraçado os furos na barriga volumosa e imaginou que demorariam um bom tempo
até achar as balas. Ele deveria ter 42 anos,seus cabelos eram tingidos, deveria
pesar em torno de 110 quilos e usava um verdadeiro Rolex no pulso. Com cuidado,
retirou a carteira do bolso da calça a carteira de couro e a vistoriou: muitos
cartões de créditos, dinheiro, algumas moedas, cartões de empresas e finalmente
um numero interessante. Olhou para o numero e o guardou no lugar. Não precisava
de anotações, bastava olhar uma vez e ficava registrado em sua mente para
sempre.
Depois de olhar bem para o homem, sem uma modificação na expressão
de frieza, tirou o lenço do paletó dele com força e limpou a Carabina Colt
M4-A1 que segurava com as luvas de couro. Com um suspiro foi em direção ao
outro corpo, muito provável de uma prostituta. Ela tinha cabelos loiros e
ondulados, lábios vermelhos e carnudos, feições miúdas e curvas
tentadoras reveladas pela roupa justa. Olhou mais atentamente para o rosto da
jovem e chegou a conclusão de que tirando a marca do tiro na testa e a
maquiagem pesada, poderia se passar por um ser angelical com aquela expressão
serena que a morte deixava de presente.
Levantou e deu uma longa esticada, toda a tensão se esvaindo.
Tivera um dia cheio e a única coisa que conseguia pensar no momento era
a Vodca que estava no criado mudo do seu quarto no luxuoso
hotel em que se hospedara.
Olhou para os corpos, para a cara engraçada do Senador Maitland,
que parecia que comera algo que fizera mal e depois para a prostituta que
não estava em seus planos, mas que como a maioria das vezes, estava na hora e
local errado.
- Espero que gostem da estadia eterna em que estão agora, meus
amigos queridos – falou dando uma risadinha – prometo que não os esquecerei.
Saiu pelo mesmo caminho que viera, pela a janela do terceiro andar
que escalara e anotou mentalmente: mandar uma coroa de flores brancas.
