quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Silêncio


 Capítulo I






Umas das velas já havia apagado, as outras duas estavam chegando ao seu fim.

A sala de jantar era longa, capaz de servir 30 pessoas facilmente. Uma mesa ocupava o espaço central, toda trabalhada em mármore com detalhes em ouro puro. Nela, um vinho tinto havia sido servido em taças de cristal, os pratos de porcelana combinavam com a toalha de renda artesanal.
As paredes eram forradas por aquarelas e um autentico quadro de Monet. Os lustres eram grandes e suntuosos, e estavam naquela mansão desde o inicio do século XIX. No silencio da enorme propriedade, podia se ouvir o canto da Ave Maria ao longe, ecoando pelos corredores e se espalhando com beleza pelos aposentos.

Tudo estava quieto, o relógio de parede badalava as duas da madrugada, os empregados dormiam tranquilamente depois de um intenso dia de trabalho e exceto a sala, tudo estava imerso na completa escuridão.

As botas não faziam nenhum ruído enquanto se aproximava.

Andava lentamente pela sala de jantar, encarando com desinteresse os quadros. Parou em frente a uma pintura abstrata em cores vivas e chamativas e esticou a Mao até segurar a taça de vinho. Bebericou-a e olhou para a obra que  não fazia sentido nenhum aos seus olhos.

Franzindo o cenho, soltou a taça e a observou se estilhaçar no chão de mármore, o liquido vermelho se misturou ao outro que estava em todo o chão. Agachou-se sobre os corpos e os observou. Guardava na memória cada detalhe de suas vitimas.

Tivera que gastar duas balas para derrubar o homem gordo. Achou engraçado os furos na barriga volumosa e imaginou que demorariam um bom tempo até achar as balas. Ele deveria ter 42 anos,seus cabelos eram tingidos, deveria pesar em torno de 110 quilos e usava um verdadeiro Rolex no pulso. Com cuidado, retirou a carteira do bolso da calça a carteira de couro e a vistoriou: muitos cartões de créditos, dinheiro, algumas moedas, cartões de empresas e finalmente um numero interessante. Olhou para o numero e o guardou no lugar. Não precisava de anotações, bastava olhar uma vez e ficava registrado em sua mente para sempre.

 Depois de olhar bem para o homem, sem uma modificação na expressão de frieza, tirou o lenço do paletó dele com força e limpou a Carabina Colt M4-A1 que segurava com as luvas de couro. Com um suspiro foi em direção ao outro corpo, muito provável de uma prostituta. Ela tinha cabelos loiros e ondulados, lábios vermelhos e carnudos, feições miúdas e curvas  tentadoras reveladas pela roupa justa. Olhou mais atentamente para o rosto da jovem e chegou a conclusão de que tirando a marca do tiro na testa e a maquiagem pesada, poderia se passar por um ser angelical com aquela expressão serena que a morte deixava de presente.

Levantou e deu uma longa esticada, toda a tensão se esvaindo. Tivera um dia cheio e a única coisa que conseguia pensar no momento era a Vodca que estava no criado mudo do seu quarto no  luxuoso hotel em que se hospedara.

Olhou para os corpos, para a cara engraçada do Senador Maitland, que parecia que comera algo que  fizera mal e depois para a prostituta que não estava em seus planos, mas que como a maioria das vezes, estava na hora e local errado.

- Espero que gostem da estadia eterna em que estão agora, meus amigos queridos – falou dando uma risadinha – prometo que não os esquecerei.

Saiu pelo mesmo caminho que viera, pela a janela do terceiro andar que escalara e anotou mentalmente: mandar uma coroa de flores brancas.